É coisa espantosa.
De assombrar até mesmo aqueles, como este velhote aqui, que vem a anos a fio pondo a boca no trombone da democracia.
Dentre as "indignadas" reações de ontem algo bastante comum entre elas.
- Os delatores são canalhas.
- Tudo papo sem provas
- Deslavada mentira
- Irresponsáveis
- Vou provar que estão mentindo
Ok. Faz parte do jogo. Mas são reações de desesperados que sabem que foram, enfim, pegos pelas mãos antes lerda da justiça.
É imbecilidade alguém chegar numa delação premiada que, até aqui tem mostrado que poucos mentiram, haja vista a condenação de alguns onde na peça de acusação o calhamaço de provas irrefutáveis veio como recheio de fábrica, fazer afirmações deste tipo.
- Há documentos
- Há números das contas depositadas
- Há vídeos que comprovam reuniões a portas fechadas
- Há a colaboração de países amigos no fornecimento de documentos
Vejam por exemplo o caso do Coisa Ruim de Minas.
Entre as acusações que foram feitas há menção a contas no exterior e depósitos em nome de empresas do tipo das que foram abertas por Eduardo Cunha.
Pergunto:
1) Será que passa pela cabeça de alguém que uma empresa organizada como a ODEBRECHT, principalmente no seu SETOR DE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS (Departamento da Propina) não tenha guardado tanto o comprovante do depósito como o número da conta?
2) O que ganharia a empresa mentindo numa situação desta se, é certo. a justiça lhe pediria informações e provas?
3) Os vídeos e documentos das delações mostradas ontem estavam sob sigilo. Não foram feitas ontem nem na semana passada. Será que neste tempo decorrido entre o momento da delação e sua posterior divulgação a PF e o Ministério público não correram atrás de verificar tais informações antes de sua homologação pelo STF?
4) Será que Fachin homologaria uma delação somente baseado em disse-me-disse de quem desejava apenas se safar de uma cadeia prolongada?
Eis aí o quadro.
A única reação dentro da cautela necessária neste momento veio de FHC. Não partiu para cima dos delatores. Se defendeu dentro dos limites do razoável e assumiu a necessidade de que a investigação continue. Fez bem.
Por que o exemplo a não ser seguido é o da própria Odebrecht.
Quem não se lembra dos arroubos dos advogados da empresa no começo da investigação quando eram "suspeitos" de terem cometido os atos constantes de sua agora delação?
Quem não se lembra de um Marcelo Odebrecht de nariz ainda em pé a desancar a Operação Lava Jato?
Pois é. Deu no que deu, não?
Marcelão foi em cana e lá está a té os dias atuais. Sua arrogância e petulância foram para o espaço. E, enfim, ele e sua empresa se transformaram no fator principal da necessidade que hoje este país enfrenta que é o de mudar a forma como se faz política neste país.
Mais uma vez prova-se:
Não é a política que está sendo demonizada, mas o modo com que é feita.
E pelo que vimos até aqui não se exerce mais a política na expressão democrática de sua definição.
O que se exerce é banditismo puro. É estupro da democracia através do mau uso da política.
É ver, com pesar, que a política, para alguns, é o caminho mais fácil para a riqueza de uns poucos em detrimento de milhões de brasileiros que passam fome nas ruas das grandes cidades, de outros milhões que perderam seus empregos, de outros milhões que penam em hospitais caindo aos pedaços em busca de saúde. E de mais da metade da população (54.9%) que estão com seus nomes sujos nos SPCs da vida.
O que a Operação Lava Jato está fazendo até aqui é, sem qualquer sombra de dúvidas, um esforço sobre-humano para salvar o que resta da política na acepção da palavra.
É mostrar que mesmo na lama escondida no lado podre da política existem representantes do povo que honram seus mandatos com dignidade, não permitindo que o todo da política que deve ser exercida ainda pode se salvar.
E que a verdadeira política, embora na UTI, ainda tem salvação.
Mas não se acomodem, senhores limpinhos.
A guerra para salvar a verdadeira política ainda vai enfrentar duras batalhas.

